Como detectar que um excesso de consumo atrapalha suas finanças?

Amar, trabalhar, consumir e desfrutar uma vida em plenitude. A fórmula parece inofensiva na teoria, mas pega no pulo muitas mulheres na hora de colocá-la em prática.

Isso porque, 75% por cento do público feminino é responsável pelo consumo de tudo que é produzido no mundo.  A busca imediata por satisfação de um self fragilizado provoca sérios níveis de ansiedade que se alimentam da fome de um viver vazio. A situação se agrava ainda mais quando o assunto é o controle das mulheres sobre o próprio dinheiro.

Manter a sustentabilidade no ato de consumir é uma questão, por vezes, de difícil cuidado. E ignorá-la pode custar caro, não apenas para o bolso, mas, também para o bem-estar individual e familiar.

Excessos, de maneira geral, são ruins, mas quando falamos em excesso de consumo prejudicial às finanças, o problema pode ser ainda maior, conforme aponta o economista, Stephan Sawitzki.

“Tudo faz parte de um processo de educação e planejamento financeiro. Precisamos entender que o dinheiro tem, basicamente, um propósito: trazer satisfação”, observa.

Contudo, segundo ele, o segredo é acertar na dose e alocar essa satisfação dentro de um período de tempo. Isso significa ajustar receitas e despesas para que sempre o dinheiro maximize essa satisfação.

“Caso haja um excesso de consumo em algum momento, isso certamente prejudicará o consumo futuro ou mesmo impactará no atingimento dos objetivos. Fora isso, se esse consumo for muito distorcido, ele poderá gerar endividamento. E, no longo prazo, isso pode se tornar um problema de difícil solução”, explica.

Então, como é possível dosar satisfação, consumo, equilíbrio financeiro e atingimento de objetivos de vida? Veja como a seguir!

Comprar ou não comprar?

Se encontrar uma “justa medida” no consumo ainda é uma tarefa difícil de ser cumprida por algumas pessoas, seria, então, mais prudente deixar de consumir?

Economistas e especialistas trazem algumas táticas para consumir de forma responsável. Perguntar-se antes de comprar:

  • Eu quero, ou eu preciso?
  • Isso é consumo ou investimento?
  • Tenho condições financeiras para esse consumo?
  • Esse consumo afetará meu planejamento?
  • É o momento certo para esse consumo?

Questionar é colocar a razão à frente dos sentimentos rasos e uma bela maneira de valorizar o ativo mais escasso da mulher – o tempo.

Mas, o que é “consumo ignorante”?

Ignorante no sentido de ignorar. Ignora-se os sinais da prudência quando se consome um  segundo par de sapatos vermelhos sem fazer contas de como aquele valor pode impactar a segurança financeira do Eu futuro. Não há mal algum ter 2, 3 ou 4 pares de sapatos vermelhos, desde que você pague-se primeiro todos os meses.

Antes de consumir, pare, olhe, escute a voz da razão. Uma maneira de identificar se está havendo excesso de consumo é, em primeiro lugar, realizar um bom planejamento financeiro. Quanto custa sua vida por mês, ou melhor quanto você gostaria que custasse?

A partir do que planejamos com antecedência, podemos diagnosticar para onde está indo nosso recurso. Se estamos gastando demais com maquiagens, sem livrar o dinheiro do nosso futuro, estamos diante de um consumo ignorante. A irresponsabilidade na hora de consumir faz mulheres mais pobres na velhice.

E quando se trata de avaliar o consumo ignorante de itens supérfluos e ou de luxo, é possível fazer isso de uma maneira ainda mais simples.

Vamos fazer um exercício, passe os olhos no seu armário rapidamente e eleja seus itens preferidos. Tudo que consumimos e não nos traz benefício é desperdício e dinheiro não aceita desaforo, vai para as mãos de quem é mais cuidadosa com ele.

Então, qual o maior erro que cometemos?

Comprar por impulso o que não precisa para parecer quem não é, traduz a falta de conhecimento sobre si própria e a maior armadilha para dependência emocional e financeira da mulher.

O cuidado com o dinheiro ensina a exercitar valores como paciência, disciplina e comprometimento. Consumir com responsabilidade é ter sabedoria e clareza sobre quem se é, e o que plantar para o futuro.

Como acompanhar as finanças sem sofrer?

O excesso de “compras por impulso” é sempre a base da justificativa para o descontrole do orçamento. Mas, como é possível fazer um acompanhamento das finanças pessoais que seja realmente funcional?

Usar a tecnologia de um bom aplicativo financeiro pode ser a saída, mas é preciso manter a disciplina no registro das movimentações diaŕias.

O primeiro passo é baixar uma planilha financeira e criar um grupo no whatsapp consigo mesma. Anote tudo que você consumir nos primeiros 30 dias. Absolutamente tudo! Assim você terá um panorama geral de como é gasto seu dinheiro.

Comprar à vista, a prazo, no cartão de crédito: qual opção mais inteligente?

A compra à vista é capaz de impedir gastos sem planejamento prévio, o que seria a melhor opção para grande parte das mulheres que confundem preço de parcela com valor total do bem.

Já para quem tem disciplina, o cartão de crédito pode ser uma alternativa interessante. No entanto, a opção é válida somente para as pessoas que sabem usá-lo dentro da capacidade de pagamento, consumindo somente o que realmente é necessário.

O cartão é uma excelente ferramenta justamente pelos benefícios (como os programas de pontuação, entre outros). Mas precisamos aprender que cartão de crédito é um vilão nas mãos de quem não tem autocontrole.

Outra forma de consumir é comprando a prazo, desde que não tenha juros embutidos nas parcelas.

Abre-se espaço à exceção quando, realmente, a compra precisa ser realizada.

Compras por impulso, como evitar?

Aqui é onde a maioria das mulheres acaba se perdendo. A compra por impulso é a que, normalmente, traz desequilíbrio financeiro.

Identificar o que é status, o que é prazer , o que é necessidade é crucial na hora de comprar. Honestidade intelectual nessa fase é o caminho para prosperidade.

Ostentar é a forma mais ignorante de provar algo a alguém. Ter estilo próprio de consumir e usufruir da vida é elementar ao bom planejamento.

Em resumo, a fórmula de sucesso para evitar a compra por impulso é ter uma compreensão ampla das próprias possibilidades financeiras e trazer a racionalidade para a tomada de decisão.

Me descontrolei, e agora?

Quando as finanças estão saindo do controle é preciso ter clareza da situação e tentar entender o que está levando para isso.

Parar, perceber e analisar profundamente as razões pelos exageros são exercícios de lucidez frente aos caos. No entanto, meditação, terapia e até um bom conselho de pessoas importantes para você pode ajudar.

Finanças e consumo saudáveis: sim, é possível!

Existem alguns passos que podem ser dados rumo ao equilíbrio entre finanças e consumo saudável. Stephan Sawitzki dá o caminho:

  1. Seja uma agente econômica superavitária: ou seja, ganhe mais do que gasta. Ou melhor, gaste menos do que ganha.

“Esse, sem dúvida, é o ponto primordial para o início do equilíbrio financeiro”, comenta o economista.

  1. Conheça a fundo sua estrutura de receitas e despesas: assim, é possível ter uma melhor compreensão do que realmente é necessário e o limite com maus gastos supérfluos.

“Nesse ponto é vital existir uma reserva de emergência, que consiga fazer com que eventuais problemas que possam afetar a vida financeira não causem dano”, orienta.

Ainda sobre esse item, o especialista esclarece que não existe um número mágico para reservar. O ponto de partida é conhecer o custo de subsistência.

“Esse valor pode girar em torno de 6 meses a 1 ano desse custo. A função é dar tranquilidade para lidar com eventualidades”, completa.

  1. Tenha um bom planejamento financeiro: com objetivos de curto, médio e longo prazo, bem como, as formas de atingimento desses objetivos.

“A partir daí, temos um consumo imediato que irá de encontro com as aspirações. E, então, o dinheiro cumprirá o seu papel”.

  1. Maximize o poder de consumo dos seus recursos: fazer isso é possível após cumpridas as etapas iniciais da educação e do planejamento financeiro.

Além disso, o princípio Socrático pode funcionar bem no auxílio para o consumo com responsabilidade : Conhece-te a ti mesma! A mulher que tem autonomia sobre seus impulsos por desejar coisas inúteis, entendeu o significado das escolhas bem feitas. Uma mente sã, faz escolha sã. As vezes é preciso de fazer de louca para conquistar a liberdade de ser quem se é!

 

Fonte: https://www.eql.com.br/financas/2022/10/como-detectar-que-um-excesso-de-consumo-pode-estar-atrapalhando-suas-financas/

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