Um conselho cooperativista para um plano de estado do cooperativismo

Transição significa passagem, transpor. Chegou janeiro de 2023. O mundo não para, a evolução aos trancos e barrancos supera as barragens que lhe são impostas. Assim é a vida, é preciso aceitar e entender que o mundo é imperfeito, pois se perfeito fosse eu perguntaria, para que tanta luta, estudos, formação, promoção e defesa da filosofia cooperativista?

Num mundo perfeito, tudo nasceria automaticamente cooperando e já intercooperando, ao natural. Mas o mundo é imperfeito e isso nos dá um maravilhoso sentido de vida, um valoroso propósito pelo qual vale a pena viver e lutar: aperfeiçoamento das imperfeições. Então, transição, novo governo, ideias em choque o que também faz parte do progresso, pois dos bons conflitos nascem as novas soluções. O mundo vive hoje como nunca quatro fortíssimas percepções:

  • insegurança alimentar;
  • insegurança energética;
  • insegurança ambiental;

E a maior de todas:

  • a insegurança da dignidade da vida humana na terra para todos.

E existe solução, a filosofia e o sistema cooperativista que significa 53% da produção de grãos do País, com mais de 1 milhão de produtores rurais e no Brasil quase 19 milhões de pessoas cooperadas com R$ 700 bilhões de ativos reais. Um gigante que pode tornar o país uma nação de gigantes pelo próprio cooperativismo.

Curiosamente, quem fez a transição da faixa presidencial na posse do dia 1° de janeiro para o novo governo do presidente Lula foi Aline de Souza, diretora da secretaria da Central de Cooperativas de Trabalho de Catadores de Materiais Recicláveis do Distrito Federal (Centcoop-DF)!

Ou seja, uma líder cooperativista passou a faixa para o Presidente da República.

E você poderia dizer, ah mas tem muito “greenwashing” nisso, tem muita guerra ideológica, tem muitas questões religiosas e de “egopoderes”, vivemos uma página do apocalipse num fim do mundo das forças do bem contra o mal, etc., mas, de verdade, temos uma construção virtuosa, esperançosa, verdadeiramente real que foi a criação da filosofia cooperativista, o seu crescimento planetário e no país.

Cooperativas exigem liderança educadora e de confiança. Cooperativas exigem governança, aplicação do estado da arte da ciência, administração e do conhecimento humano reunido. Cooperativas exigem “não deixar ninguém pra trás”. No cooperativismo organizado e de resultados, as métricas falam mais alto revelando números que contam, e dando visibilidade aos números que ainda não são contados (accountability) mas que já contam.

Então, nos próximos quatro anos, transição acabou, a governança de verdade chegou. Hora de o cooperativismo conquistar um plano de estado, pois através da fórmula cooperativista em todos os seus setores conseguiremos nos livrar de programas assistencialistas que só devem existir em emergências e com ponto final para serem extintos. Acabar com as zonas abissais que separam concentração de riqueza da pobreza e da miséria, só tem uma única estrada de uma só direção: cooperativas organizadas e de resultados. Não para alguns, ou poucos ou somente para os 20% do “Pareto” que costumam gerar e ficar com 80% dos lucros, mas para os 80% dos seus agentes, extirpando a tenebrosa cauda longa da indignidade humana da vida na terra.

Para todos os planos falados, discursados na COP-27 no Egito, para todas as discussões das equipes de transição e agora para o novo governo, sugiro e enfatizo a criação de um conselho de sábios, líderes cooperativistas que superaram o tempo, que sabem o certo e o errado com as dores do aprendizado na realidade sentidos e vivenciados. E que deste conselho, o novo governo deixe o maior de todos os legados para diminuir os fatores incontroláveis da maior insegurança dentre todas, cuja percepção nos traz o medo e extremismos, exatamente a “dignidade da vida humana na terra para todos”.

Precisamos dobrar o PIB brasileiro buscando uma meta de US$ 4 trilhões. Precisamos fazer isso acessando e desenvolvendo riquezas dentro do país e no mundo inteiro e, ao contrário do passado, com dignidade humana assegurada e percebida, para todos.

Sem um plano de estado cooperativista teremos apenas governos assistencialistas e a prosperidade não será regra geral. Que nasça este sábio conselho, apartidário, com foco exclusivo na evolução digna da vida no planeta, e que governo e sociedade civil organizada sejam protagonistas desta história. SOMOS TODOS COOP BRASILEIROS.

 

 

Fonte: https://summitagro.estadao.com.br/colunistas/jose-luiz-tejon-megido/um-conselho-cooperativista-para-um-plano-de-estado-do-cooperativismo/

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