Vai precisar de crédito? Veja o que economistas esperam de 2023

Webinar sobre o cenário econômico brasileiro no próximo ano apontou cuidados e oportunidades para empreendedores que pensam em tomar empréstimo

Trocar o maquinário. Mudar para um imóvel maior. Contratar mais funcionários. Abrir uma nova unidade. A chegada de um novo ano agita as mentes empreendedoras no que concerne a inovar nos negócios. Mas, enquanto a economia ainda ensaia sua retomada, nem todas as empresas têm capital disponível para grandes ou até mesmo pequenas empreitadas. Em muitos casos é necessário recorrer ao crédito, e logo chegam as dúvidas: vale a pena adquirir uma dívida agora? Para especialistas, a resposta é: depende.

Inflação, juros, câmbio… são muitas as variáveis que ainda oscilam em busca de um equilíbrio, mostrando que a economia brasileira ainda atravessa um período de incertezas agora e no curto prazo.

“Um ambiente de muita dúvida tem um impacto negativo na oferta de crédito. E sem crédito, seja para consumo ou capital de giro, é muito difícil retomar o nível de atividade desejado”, analisa Ricardo Humberto Rocha, professor do Insper e consultor da Anbima e Febraban.

Com o patamar de juros elevado – nesta quarta (7/12), o Banco Central manteve a Selic em 13,75% até fevereiro –, o economista explica que forma-se “combinação perversa”: o custo do dinheiro sobe e os prazos de captação diminuem. No caso das grandes corporações, Rocha afirma que é importante observar o quanto se paga de juros em relação ao fluxo de caixa gerado.

“O problema não é pagar juros, mas sim o quanto estes ‘comem’ o fluxo de caixa. No momento em que o prazo dos títulos diminui, essa relação se compromete e a retomada do investimento pelas companhias brasileiras fica um pouco retardada”, diz Rocha. “Isso implica numa menor velocidade de investimento. E quando descemos na pirâmide para as empresas médias, o custo de capital de giro também dificulta”, frisa.

Questionado sobre como as pequenas e médias empresas devem analisar as possibilidades de 2023, o professor do Insper defende que estas precisam encontrar ou desenvolver mecanismos de proteção em períodos de estiagem de dinheiro. Um caminho, segundo ele, é observar modelos de negócios nos Estados Unidos que buscam crédito, por exemplo, através de fundos de investimento direcionados para PMEs, em vez de apenas recorrer ao crédito bancário tradicional ou a políticas públicas.

“Quando vem uma crise, a propensão do governo a emprestar diminui e os bancos tradicionais recuam na oferta de crédito”, justifica Rocha. “Elas (PMEs) poderiam se organizar através de seus sindicatos patronais e criar um conceito, dentro do que o próprio Banco Central e CVM estimulam em inovações, de fundos de certificados de recebíveis destinados a PMEs”, exemplifica.

Indo um pouco além, Otto Nogami, professor do Insper e da Fundace/FEA-USP e sócio da Nogami Estratégias, defende também algumas inovações de instituições como a bolsa de valores brasileira, que poderia, por exemplo, criar um departamento de venture capital com foco em pequenas e microempresas.

“A B3 tem que ser enxergada não só como uma entidade que congrega empresas de capital aberto. Pode-se ter empresas individuais, pequenas e micro empresas sendo fomentadas pelo capital privado. Esse seria um caminho interessante, porque é menos oneroso para essas empresas, principalmente as startups”, argumenta Nogami.

Novo governo

Com juros altos e inflação ainda impactando no poder de compra das famílias e na capacidade produtiva das indústrias, ainda pairam muitas incertezas no ar quanto à economia brasileira. Os dois concordam sobre a importância do cuidado com as políticas públicas e uma discussão sobre o regime fiscal – desafios antigos que agora recaem sobre a mesa do futuro governo.

“Com a mudança de gestão, criam-se novas expectativas em relação às soluções que a nova equipe econômica poderá trazer para problemas que não são de agora e precisam ser solucionados rapidamente”, diz Nogami. “Principalmente para aliviar essa dependência em relação ao setor externo e dar produtividade maior para a nossa economia. Afinal de contas, precisamos gerar empregos, crescer e melhorar a renda dos brasileiros”, conclui.

Fonte: https://www.google.com/search?q=economia&biw=1366&bih=560&tbm=nws&sxsrf=ALiCzsYFB0Bsdr98tm3JgqtJBi314t6knA%3A1670538695004&ei=xmWSY6j0PNTZ1sQP09CJ2Ao&ved=0ahUKEwio7_7Liev7AhXUrJUCHVNoAqs4HhDh1QMIDQ&uact=5&oq=economia&gs_lcp=Cgxnd3Mtd2l6LW5ld3MQAzIHCAAQsQMQQzIICAAQgAQQsQMyCAgAEIAEELEDMggIABCABBCxAzILCAAQgAQQsQMQgwEyCwgAEIAEELEDEIMBMggIABCABBCxAzIICAAQgAQQsQMyCAgAEIAEELEDMgsIABCABBCxAxCDAToICAAQsQMQgwE6CggAELEDEIMBEENQAFjGDGDFDmgAcAB4AIAB9QGIAesKkgEFMC43LjGYAQCgAQHAAQE&sclient=gws-wiz-news

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